sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

EPISÓDIOS E DOCUMENTOS DA GUERRA PENINSULAR I

Caríssimo leitor

Não se destina este blog apenas para divulgar os uniformes, armamento, equipamento, organização, etc., mas também para editar outros assuntos referentes ao tema "Guerra Peninsular", não só  documentos oficiais, mas igualmente memórias, apontamentos e outras notícias que foram publicadas ao longo dos anos sobre este assunto, principalmente pequenos textos, histórias, testemunhos, episódios por vezes pitorescos que saíram em revistas, jornais, magazines e que hoje jazem na poeira das estantes das bibliotecas e arquivos, oficiais ou particulares. Estes artigos, geralmente passaram despercebidos tendo, talvez, sido lidos e esquecidos, uma vez que a grande maioria foram impressos em revistas que regra geral vão para o lixo mal sai um novo número, com excepção para alguns coleccionadores que as vão guardando e, por vezes, passando-as de geração em geração.

Neste sentido e sobre o título em epígrafe, começo hoje a editar um episódio, "fac-símil", que foi publicada no ano dos Centenários de 1909.
Obrigado
    marr










In: "Serões" de 1909 (colecção particular)
marr

terça-feira, 20 de agosto de 2013

INFANTARIA E ARTILHARIA

BANDEIRAS
Bandeiras do Regimento de Infantaria N.º 23 (Almeida). Escolta com tambores
 e pífano. (Excelente reconstituição com os uniformes modelo 1810)
O Decreto de 19 de Maio de 1806 estabeleceu dois novos modelos de bandeiras comuns à Infantaria e Artilharia. Por consequência cada unidade passou a ter duas bandeiras: uma com as "cores do Rei" ou seja "Nacional" e outra "Regimental" que era de uma só cor.


No respectivo Decreto verificam-se os seguintes parágrafos respeitantes a este assunto:

                                                         §XXV
Bandeira "Nacional" do Regimento de Infantaria 15. Uniforme
 mod. 1806/10 (Aguarela do Mestre Carlos Alberto Santos,
colecção particular)
Cada regimento de infantaria e artilharia terá duas bandeiras, uma das cores azul, branco, escarlate e amarelo; e outra da cor do forro da farda de cada regimento

§XXVII
As bandeiras terão uma cinta (1) de seda das cores dos canhões das mangas e das golas do respectivo regimento enrolada na haste logo por baixo da lança com as pontas caídas






Bandeira Regimental do Reg. Inf. N.º 15. Uniforme de
Inverno com capote, mod. 1810/15 (Aguarela do Mestre
Carlos Alberto Santos, colecção particular)
§XXVIII
As bandeiras terão bordadas no meio as Armas do Reino, e por baixo as palavras REGIMENTO Nº....... (2)
Aqueles regimentos que pelo Decreto de 17 de Dezembro de 1795 foi concedido acrescentar nas bandeiras ao nome do regimento a palavra AO VALOR, conservarão esta mesma distinção, tendo por baixo das Armas as palavras AO VALOR DO REGIMENTO Nº......(3)



A bandeira "Real" ou "Nacional" era esquartelada de 16 quartéis de azul ferrete e escarlate, com uma aspa amarela, e no centro as Armas Nacionais assentes em fundo branco e com uma panóplia de armas, bandeiras e troféus. Nos quatro cantos viam-se as iniciais JPR com a respectiva coroa bordada a ouro sobre fundo branco. 




Bandeira "Nacional"  Reg. Inf. N.º 8
Reconstituição. A legenda não deveria
dizer "de Infantaria" (Museu do Buçaco)
Bandeira Regimental do Reg. Inf. N.º 8
(Museu do Buçaco)












A bandeira Regimental era lisa e da cor do forro da farda do regimento o que correspondia à cor da Região Militar onde a unidade pertencia, ao centro tinha as Armas Nacionais.

Pelo Decreto de  13 de Novembro de 1813, publicado na Ordem do Dia de 13 de Março de 1814, os Regimentos de Infantaria nºs 9, 11, 21 e 23, pela sua "brava conduta em batalha" viram as suas bandeiras a terem a seguinte legenda, escritas a letras de ouro a circundar as Armas Reais: JULGAREIS QUAL HE MAIS EXCELLENTE SE SER DO MUNDO REI SE DE TAL GENTE.
Esta legenda teria que se conservar nas bandeiras enquanto existisse qualquer membro de uma dessas unidades vivo.
Decreto de 13 de Novembro de 1813 (documento da época, Colecção particular)
Neste Decreto foi "retirada" a parte final respeitante aos Batalhões de Caçadores,
 porque serão objecto de um trabalho posterior neste blog

Bandeira "Nacional" Reg. Inf. N.º 9
(Sala de Honra do C.T.O.E. Lamego)
Pormenor das Armas e dos
troféus da mesma bandeira
(Sala de Honra do C.T.O.E. Lamego)














Em primeiro plano a bandeira Regimental de Infantaria 23
Nota: A gravata é azul claro, embora na foto pareça branco
(Reconstituição Histórica, Almeida 2006)



Notas:
(1) - Gravata

(2) - Em muitas reconstituições de bandeiras lê-se erradamente "Regimento de Infantaria ou Artilharia Nº.....", onde deveria ser "Regimento Nº......". No que diz respeito aos números dos regimentos estes eram escritos em algarismos árabes.


Bandeira "Nacional" do Regimento de Infantaria N.º 23 (Almeida)
(Excelente reconstituição)
(3) Foram os Regimentos de Infantaria números 3, 4, 6, 13, 18 e 19 que estiveram nas Campanhas do Rossilhão e da Catalunha (vide artigos a este respeito já publicados no meu blog
http://talabarte-marr.blogspot.com ).

Poderá existir uma certa confusão no que diz respeito à colocação destas legendas, por vezes, vê-se erradamente em reconstituições de bandeiras do modelo de 1806 a legenda "Ao Valor" sobre as Armas Reais e por baixo "Ao valor do Regimento Nº...."
Acontece que anteriormente as bandeiras tinham a legenda por baixo das Armas Reais, por exemplo: "Regimento de Infantaria de Peniche", tendo-se depois, por força do Decreto de 1795 acrescentado um listel sobre as Armas Reais com a legenda  "Ao Valor". Como os regimentos passaram a ser numerados, com a reforma de 1806, as novas bandeiras passaram a ter apenas a legenda por baixo das Armas Reais "Regimento Nº...." . A estas seis unidades foram substituídas por "Ao Valor do Regimento Nº...."


Bandeira "Nacional" Reg. Inf. N.º 4
Correcta  (Colecção particular)
A mesma bandeira como por vezes aparece
errada! Quer a colocação das legendas, a
numeração romana e a gravata com varias
 cores.













bandeira Regimental do Regimento de Infantaria N.º 10
(Museu do Buçaco)

Agradecimentos: As fotografias foram tiradas pelo signatário durante a Reconstituição Histórica em Almeida  no ano de 2006 (Dr.ª Clarinda Moreira); No Museu Militar do Buçaco (Coronel Ribeiro Faria) e na Sala de Honra do Centro de Tropas de Operações Especiais em Lamego (Coronel Sepulveda Velloso e Tenente-coronel Francisco Narciso). Ao grande amigo Mestre Carlos Alberto Santos e ao proprietário pela autorização da publicação das aguarelas. A todos apresento os meus agradecimentos e a minha amizade.

Texto e ilustrações: marr

terça-feira, 4 de junho de 2013

CAVALARIA

ESTANDARTES

Foi com a publicação do Decreto de 1806 que pela primeira vez se regulamentou o uso de estandartes na Cavalaria, assim:


Estandarte do 1.º esquadrão
(Colecção particular)

§ XXVI
Cada Regimento de Cavalaria terá quatro Estandartes  distribuídos pelos quatro Esquadrões, da maneira seguinte: O primeiro terá Estandarte branco; o segundo encarnado; o terceiro amarelo e o quarto azul.

Estandarte do 3.º esquadrão
(Colecção particular)

§XXVII
(...) os Estandartes terão do mesmo modo (enrolado à haste logo por baixo da lança com as pontas caídas) uma cinta de seda da cor da gola e dos canhões (das mangas) do respectivo Corpo.

Estandarte do 4.º esquadrão
(Colecção particular)

§XXVIII
Assim as Bandeiras, como os Estandartes terão bordado no meio as Armas do Reino, e por baixo as palavras "Regimento n.º- - -"
Regimento de Cavalaria n.º 11 (Almeida)
De cima e da esquerda para a direita: oficial lado e costas; clarim frente
e lado; soldado lado e costas. O capacete era igual para todos, podendo-se
ver de todos os lados. Calções azuis de Inverno; brancos de Verão e os de
cor de camurça ou amarelados de uso facultativo
(Colecção particular)

Observação: O termo "Estandarte" sempre foi atribuído à Cavalaria sendo mais pequeno que o das outras Armas, o termo "bandeira" sempre foi utilizado para as restantes Armas do Exército.

Curiosamente e não se sabem bem porquê, generalizou-se o termo "estandarte" para todas as Armas, isto sensivelmente há cerca de 40 ou 50 anos atrás, o que a meu ver está errado, uma vez que "estandarte" sempre foi e deveria continuar a ser exclusivo da Cavalaria!"

Assim como a ideia ridícula e sem sentido de se ter colocado um "Tambor-mor", que sempre foi exclusivo das tropas apeadas, a dirigir a fanfarra da Cavalaria da GNR, basta ver as fotos mais antigas... Deveria, sim, ser comandado por um clarim-mor com o respectivo instrumento, aliás antigamente era assim na GNR e assim foi e é em todas as tropas montadas de todo o Mundo! Excepto aqui no nosso País...

Texto e ilustrações:marr